Twin Peaks e o Doppelgänger
Há 25 anos atrás, começava uma série que mudou os padrões das séries da época, Twin Peaks 1992 foi um marco quando ainda não tínhamos internet, Netflix ou Youtube. Para aqueles que não tiveram o prazer de assitir, ou não eram nem nascidos na época, vá no youtube e assista primeiro para não ficar perdido no começo da série. Pois aqui se você não sabe quem é o agente especial Dale Cooper ou quem foi Laura Palmer, reconheço só depois de alguns episódios as coisas vão fazer algum sentido.
Após assistir a série e ou o filme Twin Peaks: Fire walk with me as coisas ficam mais claras e você não se perde no universo de David Lynch. Bom, não há adjetivos para uma produção que, após 25 anos, têm uma continuação com os mesmos atores, mesma temática e estética sem ser chato e enfadonho. Conseguiram sim fazer uma continuação que é um primor em todos os sentidos, os atores (participações especiais de James Belushi, Laura Dern, entre outros), a trilha sonora, as imagens, o enredo e claro a pergunta que fica após todos esses anos: "Quem matou Laura Palmer?"
O Twin Peaks 2017 consegue trazer à tona, sem perder as raízes, elementos que, na série de 1992, não haveria condições de produção. Falo isso não só pelos efeitos especiais, mas para o aparecimento de um "duplo" do agente especial Dale Cooper. mas o que seria esse "duplo", qual a sua origem e real significado? Doppelgänger segundo as lendas germânicas seria uma definição do "outro". Uma tradução para o português de Doppelgänger poderia ser ”duplo”, termo consagrado pelo romantismo por Jean Paul-Richter em 1796, que
literalmente significa “aquele que caminha do lado”, “companheiro de estrada”. O "duplo" na série manifesta-se nos duplos protagonistas Dale Cooper e Douglas Jones (Dougie Jones) interpretado pelo ator Kyle Maclachlan de Duna (1984) e Veludo Azul (1986), ambos do diretor e amigo David Lynch, e que já nos primeiros episódios mostra que são completamente diferentes, apesar de ter a mesma aparência.
O Duplo acompanha o protagonista na série em todos os sentidos, fazendo confusão com aqueles que querem matá-lo, salvá-lo ou também amá-lo.
O sentimento do estranho , The Uncanny, Das Unheimiliche, apresenta-se não só pelo "duplo", mas também pela estética que marca a obra de David Lynch. Um anão assassino, um corpo de homem com uma cabeça de mulher encontrado em um quarto de hotel, um policial surdo (David Lynch), um chefe de polícia com o sexo trocado (David Duchovny), coisas sem sentido, violência gratuita, drogas, realidades paralelas, são alguns dos elementos pertencentes a esse universo. Sem sombra de dúvida, um prato cheio pra quem gosta.
Uma boa opção para quem têm Netflix e que gosta de seriados, mas um aviso, alguns episódios beiram o perturbador e é melhor assistir sem as crianças na sala (rssss).


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